Quando o Brasil tornou-se República, em 1889, nossa economia era agrária e extrativista. A economia chefe era a plantação de café. Até 1930 não existia uma preocupação maior em industrializar o país, até que a Grande Crise de 1929, fez tornar mais clara a situação de que a economia de um país deveria diversificar-se o máximo possível e em direção ao processo de industrialização.
Mas como fazer?
O Brasil vinha se industrializando desde 1850, quando parte do lucro do café estava sendo revertido para melhorar a produtividade do próprio café, com a compra de novas tecnologias agrícolas, como arados sem tração animal, produtos químicos e a implantação de ferrovias. Diversas feiras agrícolas eram realizadas anualmente para se vender e atrair essas tecnologias produzidas na Europa e nos EUA. Essa grande importância econômica fez com que os grandes dirigentes políticos do país fossem ligados,direta ou indiretamente, aos produtores de café.
Mas na década de 1930, após a Grande Depressão, a crise atingiu em cheio o preço do café,baixando-o em cerca da metade do preço que vinha sendo vendido. Para fugir da crise se exigia uma diversificação da produção. E a política do Brasil passou a ser, também, incentivar quem quisesse ter ou aumentar a produção de produtos industrializados. Como a mecanização do café fez aumentar as cidades e a população urbana, já tínhamos um pequeno grupo de famílias (em sua grande maioria imigrantes europeus) em São Paulo que produzia artigos básicos como velas, roupas e tecidos. A partir dessa formação que se vai incentivar a produção industrial a partir de uma política conhecida como SUBSTITUIÇÃO DE IMPORTAÇÕES.
a Substituição de Importações consistia em aumentar a tarifa de produtos importados, tornando-os mais caros. Ao mesmo tempo, diminuir as taxas de importação de máquinas, deixando-as mais baratas. Dessa maneira, valia a pena produzir outros produtos industrializados para serem consumidos no nosso país, já que o mercado interno vinha aumentando. A partir daí o café foi passando a não ser mais o principal produto da economia brasileira (o que aconteceu efetivamente a partir de 1960) e não mais dependiam só dele a estrutura política do país.
sábado, 15 de agosto de 2015
domingo, 9 de agosto de 2015
Brasil colonialista X Brasil próspero
Que Rio Grande do Sul queremos? Que Brasil queremos?
O Governo do PMDB, no Rio Grande do Sul, tem tomado medidas bastante radicais recentemente. Corte de salários do funcionalismo público, fechamento de fundações e órgãos ambientais, ameaças de privatizações, etc.
O Estado nunca é mínimo. Ou existe algum Estado mais forte que os EUA? O
Estado mínimo que a política do PMDB preconiza é mínimo em participação
social. Mas do ponto de vista do exército (das Forças Armadas), da
polícia, do judiciário, de um sistema religioso (cristão), do sistema de
financiamento de indústrias e do agronegócio, o Estado precisa ser
forte.
O Estado não lucra, logo ele realoca recursos. Então, para onde iria o dinheiro extra que está sendo gasto? Vai para pagar a dívida (teoricamente). E depois? Será para reforçar as instituições acima citadas.
Observem as estruturas colonialistas de formação da economia, do Estado, dos políticos... é óbvio que a tentativa é de mantê-las intactas.
A leitura que faço é que hoje, é que como a nossa indústria não é apenas de base, para economia industrial um mercado interno fortalecido
Primeiro, qual o tamanho que a classe trabalhista pode ter (pois é ela que, através da política busca a valorização salarial, que é o que fomenta o mercado interno).
Segundo, um choque de civilizações: os imigrantes, os negros, os indígenas. Mas isso não no aspecto cultural (apenas), mas na distribuição de propriedades: que tipo de status deve se dar às terras quilombolas e terras indígenas? Por que não seguir o modelo de distribuição de terras dadas aos imigrantes?
O Brasil só vai avançar quando essas questões forem resolvidas. As estruturas coloniais estão aí, mesmo com as suas contradições.
favorece muito mais do que essa economia simplista de exportação. Mas o fortalecimento desse mercado interno enfrenta dois desafios:
O Governo do PMDB, no Rio Grande do Sul, tem tomado medidas bastante radicais recentemente. Corte de salários do funcionalismo público, fechamento de fundações e órgãos ambientais, ameaças de privatizações, etc.
O Estado nunca é mínimo. Ou existe algum Estado mais forte que os EUA? O
Estado mínimo que a política do PMDB preconiza é mínimo em participação
social. Mas do ponto de vista do exército (das Forças Armadas), da
polícia, do judiciário, de um sistema religioso (cristão), do sistema de
financiamento de indústrias e do agronegócio, o Estado precisa ser
forte. O Estado não lucra, logo ele realoca recursos. Então, para onde iria o dinheiro extra que está sendo gasto? Vai para pagar a dívida (teoricamente). E depois? Será para reforçar as instituições acima citadas.
Observem as estruturas colonialistas de formação da economia, do Estado, dos políticos... é óbvio que a tentativa é de mantê-las intactas.
A leitura que faço é que hoje, é que como a nossa indústria não é apenas de base, para economia industrial um mercado interno fortalecido
Primeiro, qual o tamanho que a classe trabalhista pode ter (pois é ela que, através da política busca a valorização salarial, que é o que fomenta o mercado interno).
Segundo, um choque de civilizações: os imigrantes, os negros, os indígenas. Mas isso não no aspecto cultural (apenas), mas na distribuição de propriedades: que tipo de status deve se dar às terras quilombolas e terras indígenas? Por que não seguir o modelo de distribuição de terras dadas aos imigrantes?
O Brasil só vai avançar quando essas questões forem resolvidas. As estruturas coloniais estão aí, mesmo com as suas contradições.
favorece muito mais do que essa economia simplista de exportação. Mas o fortalecimento desse mercado interno enfrenta dois desafios:
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
QUESTÃO 01 - CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS - ENEM 2013
Competência
de área 3 -
Compreender a produção e o papel histórico das
instituições
sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes grupos, conflitos
e movimentos sociais.
H11 - Identificar registros
de práticas de grupos sociais no tempo e no espaço.
H12 - Analisar o papel da justiça como
instituição na organização das sociedades.
H13 - Analisar a atuação dos movimentos
sociais que contribuíram para mudanças ou rupturas em processos de disputa pelo
poder.
H14 - Comparar diferentes pontos de
vista, presentes em textos analíticos e
interpretativos,
sobre situação ou fatos de natureza histórico-geográfica acerca das
instituições
sociais, políticas e econômicas.
H15 - Avaliar criticamente conflitos
culturais, sociais, políticos, econômicos ou ambientais ao longo da história.
Que regime perdurou durante as 3 primeiras
décadas do século XX? Conhecida como República Velha, sua Constituição foi
estabelecida em 1889 quando o Imperador Dom Pedro II foi deposto do poder pelos
militares republicanos. Foi o fim do período imperial iniciado em 1822.
O que mudou?
ANTES:
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PERÍODO
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QUEM GOVERNA
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1822 - Independência do Brasil
PRIMEIRO REINADO (1822-1831)
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Dom Pedro I
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Período Regencial (1831-1840)
PROBLEMA DA MAIORIDADE
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Políticos do gabinete do imperador,
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SEGUNDO REINADO (1840-1889)
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Dom Pedro II
|
A grande característica é que somente
parentes sanguíneos do Imperador poderiam comandar a política brasileira,
embora os grandes fazendeiros cafeicultores já tivessem grande influência na
política nacional em função do seu peso na economia do país. O imperador e sua
família tinha grande influência na Europa. Mantinha os fazendeiros,
comerciantes e coronéis ao seu lado em troca de títulos de nobreza e
intermediações financeiras com bancos estrangeiros (principalmente bancos
ingleses).
DEPOIS:
Em 15 de novembro de 1889 o Exército,
representado pela figura do Marechal Deodoro da Fonseca, derrubou o Imperador
Pedro II, instaurando a República dos Estados Unidos do Brasil.
REPÚBLICA VELHA (1889 - 1930)
A Constituição (obviamente) mudou e as leis
que regeriam o país a partir de então receberam forte influência francesa e
principalmente estadunidense, pois os EUA eram o grande exemplo de República
para o mundo das ex-colônias.
Os títulos de nobreza que sustentavam muitas famílias
caíram por terra. Quem mandaria no país seriam os governadores de cada estado.
Mas manteve-se um executivo forte, acima dos estados. De cada uma das economias
citadas acima, a produção de café, concentrada nos estados de SP, MG e RJ era
de longe a mais forte e eles comandariam a política nacional até 1930, a famosa
“Política do Café com Leite”, onde empresários e fazendeiros do café se
revezavam na presidência da República. Mas como dito anteriormente, os governos
estaduais ganharam grande autonomia podendo, inclusive, contrair empréstimos
internacionais sem o consentimento do Presidente da República. Ou a autonomia
de realizar eleições sem nenhuma fiscalização externa.
Por isso esse período da República ficou
conhecido como ‘a política dos governadores’ como citado no enunciado da questão.
A competência exigida na questão 01 é
a de área 3: Compreender
a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e
econômicas, associando-as aos diferentes grupos, conflitos e movimentos
sociais.
E a habilidade envolvida para se chegar na
competência 3 é a
H11
-
Identificar registros de práticas de grupos sociais no tempo e no espaço.
Alternativa
A - o poder militar enquanto fiador da ordem econômica.
Embora o exército fosse o protagonista quando
o Marechal Deodoro da Fonseca proclamou a República, o exército era subordinado
à política dos governadores. Frequentemente o Coronel era um grande
proprietário rural. (errada).
Alternativa
B - o Presidencialismo, com o objetivo de limitar o poder dos coronéis.
Ao contrário, o Presidencialismo existia pela
troca de favores entre os governadores mais fortes economicamente (ligados ao
café e à produção de gado) e os menos influentes. (errada).
Alternativa
C - o predomínio de grupos regionais sobre a ordem federativa.
Era exatamente isso que acontecia. Os grupos
regionais que imperavam sobre a ordem federativa eram de SP, RJ e MG. (correta)
Alternativa
D - intervenção nos estados, autorizados pelas normas constitucionais.
Não existia intervenção nos estados, a não
ser que o coronel solicitasse ajuda federal e, nesse caso, seria para manter a
ordem estabelecida, e não derrubá-la. (errada)
Alternativa
E - isonomia do governo federal no tratamento das disputas locais.
Os barões do café e seus aliados claramente
apoiavam os governadores que apoiavam a centralização federal em torno da
economia do café. Minas Gerais, por exemplo, era um estado dividido entre o
café, o gado e, de certo modo, a industrialização. Se a isonomia prevalecesse,
a indústria seria a grande beneficiada, mas como o que prevalecia eram os
interesses políticos de alguns grupos, manteve-se um equilíbrio entre a
produção dos 3 produtos, com uma clara vantagem da produção de café. (errada).
quinta-feira, 9 de maio de 2013
PAPA ARGENTINO?? ISSO MUDA ALGUMA COISA??
“Quando dou comida aos pobres,
dizem que sou santo; quando pergunto por que são pobres, me chamam de comunista”.
Palavras de Dom Hélder Câmara, arcebispo de Recife, nos anos 1960.
A miséria do continente, com milhões
de pessoas morrendo de fome e de sede provocaram a radicalização de um grande
número de cristãos, assim como de certo membros da alta hierarquia da Igreja Católica latino-americana.
Em 1968, um jovem padre teólogo peruano, Gustavo Gutiérrez,
apresentou um relatório sobre a “teologia do desenvolvimento”. Ele afirmava que
o continente era vítima do “neocolonialismo”, do “imperialismo internacional do
dinheiro” e do “colonialismo interno”. Esse relatório marcou o ato de
nascimento da “TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO”, que era uma leitura engajada do
Evangelho.
Porém, o medo de um comunismo
ateu falou mais alto e, em 1967, a Igreja Católica Apostólica Romana declarou
seu apoio ao chamado “clero progressista” - que era contrário aos adeptos
da TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO. Gutiérrez afirmava que ao lado do pecado pessoal existia um pecado estrutural, ou seja, uma organização da sociedade e da economia que causam o sofrimento, a miséria e a morte.
No campo, nos bairros populares e nas periferias de toda a América Latina, uma geração de membros do clero se engajou concreta e politicamente ao lado dos mais desfavorecidos, como o Dom Hélder Câmara, arcebispo de Recife.
SITUAÇÃO NO BRASIL
As Ligas Camponesas
O Brasil, entre 1950 e 1964, foi caracterizado pelo intenso crescimento urbano e uma rápida industrialização. ´Ao fim da II Guerra Mundial, o mercado internacional de produtos agrícolas e a pecuária aumentaram muito, supervalorizando o preço da terra, o que fez com que os fazendeiros fossem expulsando os camponeses. Porque agora era um excelente negócio vendê-la, o que, até meados da década de 1940, não valia a pena. Além disso, a mecanização da produção diminuiu drasticamente a utilização da mão-de-obra nas fazendas, empurrando os camponeses analfabetos para as periferias das grandes cidades.
Neste contexto, em 1955, começaram a surgir as Ligas Camponesas. Surgiram ligas de vários pontos do país, sobretudo no Nordeste. As ligas lutavam contra a expulsão da terra e contra o aumento do preço dos arrendamentos.
A Igreja Católica
Lembrando que o contexto da Guerra Fria, entre 1945 e 1989, ou se alinhavam com os EUA ou se alinhavam com a URSS - com exceções, mas não no continente americano. Alguns setores da Igreja combatiam o comunismo, mas reconhecia-se que o sistema capitalista estava criando problemas brutais e uma massa de miseráveis e, com isso, empurrando os pobres para o comunismo.
A Igreja, então,se dividiu em diversas posições, indo do ultraconservadorismo às aberturas à esquerda representadas pela Juventude Universitária Católica (JUC) . Na América Latina, os países mais resistentes às organizações das massas pobres eram: Brasil, Argentina, Chile e Colômbia. E foram nestes países que começaram a denunciar uma "infiltração marxista na Igreja", a partir de 1973.
Entre os adeptos da Teologia da Libertação, estavam o Padre Jorge Mário Bergoglio, o atual Papa Francisco. E, no Brasil, um grande nome adepto dessa corrente era o Padre Leonardo Boff, amigo do já citado Dom Hélder Câmara. Em 1978 assume Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II, que se isentou de investigar os crimes cometidos pelas ditaduras militares.
Em 1981, por indicação de João Paulo II, o Padre Joseph Ratzinger (futuro Papa Bento XVI) se tornou delegado da Congregação pela Doutrina da Fé - a antiga Inquisição - e passou a "caçar" os adeptos da Teologia da Libertação. Em 1985, o Padre Leonardo Boff foi proibido pela Igreja de Ratzinger e Wojtyla de ensinar e de dar declarações políticas públicas. Dom Hélder Câmara foi convidado a se afastar de seu cargo em Recife. E muitos outros foram sumariamente punidos. Tempos depois, em 1998, João Paulo II deu a comunhão ao casal Pinochet, ditadores do Chile entre 1973 e 1990, quando estes estavam em Londres.
ENTÃO...
o Papa Francisco, primeiro Jesuíta e primeiro latino-americano a ser papa em toda a história, está inserido no contexto em que os líderes que lutaram contra as ditaduras militares são hoje presidentes, juntando-se a dupla Lula-Dilma, Evo Morales (da Bolívia), Hugo Chávez (mesmo com a sua morte, seu movimento político está muito vivo na Venezuela), José Mujica (do Uruguai), e outros ainda.
A Igreja, com o Papa Francisco, deve se alinhar com esses líderes "de esquerda", voltando suas política muito mais para o continente americano do que para a Europa. Há uma grande expectativa de que esse movimento diminua e até acabe com a fome e a miséria de nossos países americanos e, quem sabe, até do mundo.
A Igreja Católica
Lembrando que o contexto da Guerra Fria, entre 1945 e 1989, ou se alinhavam com os EUA ou se alinhavam com a URSS - com exceções, mas não no continente americano. Alguns setores da Igreja combatiam o comunismo, mas reconhecia-se que o sistema capitalista estava criando problemas brutais e uma massa de miseráveis e, com isso, empurrando os pobres para o comunismo.
A Igreja, então,se dividiu em diversas posições, indo do ultraconservadorismo às aberturas à esquerda representadas pela Juventude Universitária Católica (JUC) . Na América Latina, os países mais resistentes às organizações das massas pobres eram: Brasil, Argentina, Chile e Colômbia. E foram nestes países que começaram a denunciar uma "infiltração marxista na Igreja", a partir de 1973.
Entre os adeptos da Teologia da Libertação, estavam o Padre Jorge Mário Bergoglio, o atual Papa Francisco. E, no Brasil, um grande nome adepto dessa corrente era o Padre Leonardo Boff, amigo do já citado Dom Hélder Câmara. Em 1978 assume Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II, que se isentou de investigar os crimes cometidos pelas ditaduras militares.
Em 1981, por indicação de João Paulo II, o Padre Joseph Ratzinger (futuro Papa Bento XVI) se tornou delegado da Congregação pela Doutrina da Fé - a antiga Inquisição - e passou a "caçar" os adeptos da Teologia da Libertação. Em 1985, o Padre Leonardo Boff foi proibido pela Igreja de Ratzinger e Wojtyla de ensinar e de dar declarações políticas públicas. Dom Hélder Câmara foi convidado a se afastar de seu cargo em Recife. E muitos outros foram sumariamente punidos. Tempos depois, em 1998, João Paulo II deu a comunhão ao casal Pinochet, ditadores do Chile entre 1973 e 1990, quando estes estavam em Londres.
ENTÃO...
o Papa Francisco, primeiro Jesuíta e primeiro latino-americano a ser papa em toda a história, está inserido no contexto em que os líderes que lutaram contra as ditaduras militares são hoje presidentes, juntando-se a dupla Lula-Dilma, Evo Morales (da Bolívia), Hugo Chávez (mesmo com a sua morte, seu movimento político está muito vivo na Venezuela), José Mujica (do Uruguai), e outros ainda.
A Igreja, com o Papa Francisco, deve se alinhar com esses líderes "de esquerda", voltando suas política muito mais para o continente americano do que para a Europa. Há uma grande expectativa de que esse movimento diminua e até acabe com a fome e a miséria de nossos países americanos e, quem sabe, até do mundo.
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quarta-feira, 6 de março de 2013
História do Racismo e a conquista dos direitos civis!
A expansão do comércio europeu e o
contato com os outros povos
A expansão do cristianismo e do
comércio além-mar que os europeus dominaram amplamente a partir do século XV,
sempre trouxe consigo a dúvida que pairava na cabeça da elite europeia, sobre
se os ameríndios, asiáticos e africanos seriam seres humanos ou apenas animais,
uma subespécie. A nobreza europeia já trazia na sua estrutura social a ideia de
que os plebeus eram seres inferiores. Vale lembrar que muitos reis e nobres eram
ainda bárbaros, ou seja, ignorantes, analfabetos e sem muitos conhecimentos da
política de sua época. Quem mandava realmente então? O clero! Os cardeais,
bispos, arcebispos eram grandes estudiosos e dominavam na prática o cenário
político na Europa Medieval.
http://boilerdo.blogspot.com.br/2012/11/o-capitalismo-matou-milhoes-de-pessosas.html
Mais além, no séc. XIX, com o
avanço da ciência, escritores, cientistas e filósofos europeus passaram a desenvolver
teorias científicas para justificar os massacres em massa que as novas
potências econômicas (Bélgica, Holanda, Inglaterra, Alemanha, entre outros) estavam
promovendo na África, Ásia e Oceania. Os colonos frequentemente utilizavam de
violência extrema para ocupar territórios e submeter os outros povos: tortura,
estupro, linchamento, mortes gratuitas, trabalhos forçados até a morte, sem
poupar nem mesmo crianças e mulheres. A ciência passou a estar a serviço dessa
ocupação.
A esta época, o Reino Unido dominava o comércio de africanos escravizados
e, por isso, partiu deles iniciativa de acabar com este tipo de regime de
trabalho. E daí?
Em 1830 a expectativa de parte do
Império Britânico era que os 750 mil escravos “libertos” fossem se tornar
cristãos (vale lembrar, um cristianismo inglês e protestante, que diferia muito
de outros cristianismos, como o da própria Igreja Católica) e camponeses
trabalhadores agradecidos pela liberdade ofertada. Quem liderou a luta contra o
sistema escravista foram os missionários ingleses que fizeram a campanha pelas
suas igrejas, na Inglaterra e nas suas colônias. Na visão deles, os negros eram
irmãos inferiores, mas ainda assim irmãos.
Isso se tornou uma visão
superada, pois a ciência estava provando o contrário, que negros, ameríndios e
asiáticos eram mesmo seres inferiores e jamais atingiriam o nível civilizado da
raça branca. O comércio de crânios e ossos de seres humanos para fins científicos
era frequente entres ingleses, belgas, alemães, suecos, etc. A política
seguinte a essa brilhante conclusão científica era que essas raças inferiores
tinham de ser exterminadas, pois estes seres primitivos traziam consigo uma
violência intrínseca que ameaçaria a tranquilidade da raça branca civilizada. Os campos de concentração foram criados na África, multiplicaram-se na Ásia e atingiram o Leste europeu. Até chegarem aos judeus, muitos milhões (só na Índia, mais de 30 milhões) foram exterminados da mesma maneira brutal e desumana.
http://averdadeestampada.blogspot.com.br/2011/01/reducao-da-populacao.html
Na Inglaterra a escravidão
terminou em 1833. Nas colônias britânicas, isso representou para os escravos
pagarem taxas pelas cabanas miseráveis em que vivam e pagar impostos para a
Coroa. Para os proprietários das plantações de cana-de-açúcar representava que
a morte de um trabalhador não mais significava um prejuízo.
Com essa mudança no regime de
trabalho, a Grã-Bretanha saiu da escravidão para um império colonial mais
profundo e vasto, onde os povos inferiores ou se cristianizavam, ou eram
exterminados. Isso significa dizer que o fim do regime escravista representou,
primeiramente, um aumento vertiginoso da violência dos impérios contra os
outros povos do mundo, com a extinção de muitas sociedades.
Influenciados fortemente por essa
política inglesa, no Brasil, nossos políticos criaram a “política de
branqueamento” que consistia na imigração e utilização de mão-de-obra europeia,
e a consequente primeira reforma agrária do Brasil. Alguns brancos ganhariam
terras, os mais aptos sobreviveriam e ingressariam na sociedade brasileira, os menos
aptos se misturariam com os negros, mulatos e indígenas nos quilombos e favelas
Brasil afora! E seriam alvo de violências constantes durante os 2 séculos
seguintes.
CIÊNCIA E EUGENIA
O primo de Charles Darwin, Galton
Darwin, criou a Eugenia (a ciência para provar a superioridade da raça branca
pura) porque estava percebendo que as raças inferiores estavam se reproduzindo
mais que a raça superior, incentivando, então, a classe média britânica a se
reproduzir e jamais se misturar. Vale lembrar que praticamente todos os grandes
políticos das principais potências europeias, como o Winston Churchill,
Primeiro Ministro Britânico durante a Segunda Guerra Mundial, eram adeptos da
Ciência da Eugenia. Na Suécia, no século XX, em campos de concentração que
depois consagraram a política nazista na Alemanha, esterilizou-se à força 60
mil pessoas que tinham defeitos como síndrome de down, miopia, entre outras, que
prejudicariam a formação desta raça pura.
(Francis Galton, primo de Charles Darwin)
http://folhaestudantilcom.blogspot.com.br/2007/11/manipulao-gentica-benefcios-e-riscos.html
Apesar de muito difundida na
Alemanha e Grã-Bretanha, foi no EUA que a Eugenia perdeu o controle. Nos EUA,
27 Estados adotaram leis eugenistas, que proibiam negros e mestiços de se
casarem e de terem filhos.
No início do séc. XX os estados
do Sul adotaram leis de separação dos serviços públicos. Entre outras regras
estava que os negros não podiam encarar diretamente os brancos, sob pena de
serem presos e espancados.
Entre 1888 e 1927 cerca de 3500
negros foram linchados nos EUA. A igreja, o governo, os homens de negócio
faziam intensas propagandas propagando o medo. Prédios e casas dos negros eram
queimadas e destruídas e quem tentasse resistir poderia ser torturado durante
horas ou ver toda sua família morta. Álbuns de família frequentemente continham
fotos de negros torturados. A Ku Klux Klan, uma gang criada e sustentada por
juízes, médicos, políticos e outras pessoas influentes para matar e torturar
negros, no seu auge teve 5 milhões de membros com uma média de 2 linchamentos
por semana. O Presidente dos EUA, Harry Truman (45-52) era ex-membro da Ku Klux
Klan. Os soldados negros americanos que tinham retornado da II GM eram
linchados simplesmente por terem tido a ousadia de usar aquele uniforme. Teve-se
o registro, em 1946, da média de 1 linchamento por semana.
Movimento pelos Direitos Civis
E foi neste contexto de violência
extrema que surgiram grandes movimentos de resistência dos negros nos EUA, culminando
com o Movimento pelos Direitos Civis.
Grandes expoentes do movimento
pelos direitos civis: Marthin Luther King, Malcom X, Mohamed Ali, os Panteras
Negras...
Malcom X defendeu no início do
movimento uma resistência armada, protegendo e patrulhando os bairros negros,
contendo a onda de linchamentos por parte dos brancos. Mas obviamente os
policiais tinham um aparato militar muito maior e quando Malcom X passou a defender
uma resistência pacífica foi assassinado.
Marthin Luther King sempre foi
defensor de uma resistência pacífica e quando mais do que resistência, ele
passou a defender uma autonomia econômica da população negra, também foi
assassinado. E quando os negros passaram a reivindicar os direitos econômicos,
a violência policial aumentou ainda mais.
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Malcom X
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O Apartheid na África do Sul
durou até a década de 80, a violência contra os negros continua até hoje e a
realidade econômica dos povos mestiços mudou muito. Mas já não existe a Ciência
da Eugenia; um presidente negro foi eleito nos EUA, onde Colin Powell e
Condoleezza Rice ocuparam o cargo de Secretário(a) de Estado.
No Brasil o STF pela primeira vez
tem um negro que está fazendo um trabalho diferenciadíssimo no Judiciário:
Ministro Joaquim Barbosa contra os juízes canalhas defensores das oligarquias
racistas, mostrando o lado intelectual do movimento pela igualdade dos povos, ao lado de intelectuais como o Geógrafo Milton Santos, o gaúcho formado em letras e um dos criadores do Grupo Palmares, o Oliveira Silveira, a desembargadora baiana Luislinda Valois e muitos outros. As cotas estão em todas as universidades públicas do país
beneficiando essa população mestiça que foi oficialmente considerada sub-raça
pela ciência até praticamente a década de 80, mostrando que a luta pelos
direitos civis (reconhecidos nas lutas contra a Ditadura Militar/Civil do
Brasil) ganhou espaço e culminou com a Constituição de 1988 que tem amplos
mecanismos de proteção a estes direitos civis, como a criminalização do racismo.
Hoje, a luta tem passado para uma luta pela autonomia econômica, que passa pela
erradicação da miséria, democratização das fontes de financiamento de políticas,
melhores salários e muito mais investimento em educação.
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Oliveiira Silveira
http://www.geledes.org.br/atlantico-negro/movimentos-lideres-pensadores/afrobrasileiros/oliveira-silveira/853-biografia
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Por que ler o texto da Produção da memória afrobrasileira?
Um vídeo explicando o por quê do texto! ;)
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
A produção da memória afrobrasileira
A partir dos anos 80,
as pesquisas sobre escravidão no Brasil começaram a abrir outras perspectivas
para a compreensão da vida dos escravos. Os cativos que até então eram
considerados apenas como mercadoria, ou força de trabalho, passaram a serem
vislumbrados em outros aspectos do cotidiano, tais como em suas relações
cotidianas, familiares, em seu universo religioso, entre outros, e isso fez com
que os estudiosos pudessem afirmar que os escravos foram sujeitos participantes
do processo histórico no qual estavam inseridos, e não apenas mera mão-de-obra.
Sendo hoje um componente
cultural muito importante, o termo “nação” era atribuído aos escravos pelos
agentes colonizadores (Estado, Igreja, comerciantes) e definido no quadro do
Império português. Estas nações eram colocadas junto aos novos nomes
cristãos que os escravos recebiam no ato do batismo. Geralmente estas nações
correspondiam a um sistema que compreendia territórios, povos, principais mercados
onde os escravos eram comercializados e portos de embarque no território africano.
Só a partir daí é incorporado pelo grupo.
Logo, as nações atribuídas pelos colonizadores aos escravos africanos no circuito do tráfico, tais como: angola, benguela, nagô, mina, jeje, entre outras, tiveram impacto significativo na vida desses cativos e nas suas formas de reorganização no Novo Mundo.
Logo, as nações atribuídas pelos colonizadores aos escravos africanos no circuito do tráfico, tais como: angola, benguela, nagô, mina, jeje, entre outras, tiveram impacto significativo na vida desses cativos e nas suas formas de reorganização no Novo Mundo.
Com a descoberta do ouro em Minas Gerais, na
última década do século XVII, tornou-se urgentemente necessário encontrar
escravos que fossem mais fortes e mais aptos para o trabalho nas minas do que
os bantos de Angola e do Congo. Isso levou a reabrir o tráfico de escravos
entre os portos brasileiros e a ‘Costa da Mina’, como os portugueses chamavam a
Baixa Guiné. Neste contexto, “negro” e “crioulo”, que quer classificar, respectivamente, vindo da África e nascido no Brasil.
E como seria a inserção social do cativo? Através do campo religioso, obviamente! Existiam as irmandades da Igreja Católica e para os negros ou crioulos se permitiam as chamadas irmandades de pretos, que obtiveram grande representatividade na sociedade colonial erguidas por escravos e forros, homens e mulheres, e foram um dos únicos ou talvez o único meio de associação legal permitido aos escravos. Elas foram permitidas porque o ritual de morte era o único ritual permitido pelos cristãos aos africanos. E, já que estes ritos deveriam existir - para não atiçar ainda mais a ira dos grupos escravizados e violentados -, que existissem sob a guarda da Igreja Católica. A irmandade tornou-se, então, uma espécie de família ritual, em que africanos desenraizados de suas terras viviam e morriam solidariamente, valorizando as manifestações religiosas como meio de ressignificação cultural e reconhecimento social. O destino dos escravos sem proteção confrarial (não filiados a irmandades como a Irmandade do Rosário dos Pretos) era o valão. Isso reforça a reapropriação pelos escravos das denominações do tráfico, utilizando-as como forma de se organizarem política e culturalmente.
Apropriando e dando
novos significados aos símbolos e práticas católicas, os cativos praticaram o
sincretismo que alcança diversos sentidos como mistura, confusão, combinação,
superposição, síntese, entre outros, de maneira a ressignificar as suas próprias
crenças e rituais. Nessa perspectiva, as irmandades recebem um caráter para
além de religioso e tornam-se algo importante para a vida social dos negros.
Mesmo em dimensões que absorvem significados para além daqueles colocados pelo
catolicismo, as manifestações dos negros adquirem sentidos próprios.
Os Sudaneses e os Bantos
Como dito
anteriormente, no quadro da escravidão brasileira, essas novas identidades
entre africanos seriam, muitas vezes, criadas tendo como base os rótulos
conferidos aos escravos pelo tráfico.
Sendo assim, os africanos que vieram escravizados para
o Brasil podem ser agrupados basicamente em dois grandes conjuntos étnicos: os
sudaneses e os bantos.
Os sudaneses são
da região do Niger, na África Ocidental. Dentre eles, se destacam os nagôs
(yorubas) da Costa dos Escravos, os jêje da mesma região e os mina da Costa do Ouro.
Dos três grandes ramos sudaneses – ocidentais, centrais e orientais - vieram
principalmente
para o Brasil, em ordem de importância, os ocidentais (nagô, gêge, mina, mandinga)
e os centrais (haussa, bornú, kanúri).
Os bantos, entre
eles os congo e angola, vivenciando uma cultura bastante
diferenciada da
dos sudaneses, foram introdutores no Brasil de elementos culturais que
marcaram as
tradições populares das festas do boi, capoeiras, batuques assim como
danças, ritmos,
instrumentos musicais.
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