segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

CHEGOU O VERÃO 2016!

Na madrugada de segunda para terça (21/12/2015) começa o verão no hemisfério Sul do planeta Terra. Na teoria, o que acontece é o seguinte:


Os raios solares são mais intensos no trópico (de Capricórnio), um pouco menos intensos na linha do Equador e muito mais fracos no hemisfério Norte, onde começa o inverno. Lá no final de março de 2016 esse movimento mudará, quando começar o equinócio de outono no Sul.

Isso é o que acontece na teoria. Na prática, o que acontece é um calor intenso, com sérios danos respiratórios em parte da população. O consumo de energia elétrica atinge seus maiores picos e, quando chove pouco, a poluição atmosférica chega a níveis insuportáveis. Pessoas e animais sofrem, e buscam refrescar-se da maneira que podem.



Na região Sul, já que é época de El Niño, as temperaturas devem manter-se amenas e as chuvas constantes.

Uma consequência do aumento das chuvas é o aumento dos reservatórios das hidrelétricas, o que vai garantir o fornecimento de energia elétrica  para o país sem cortes e racionamentos.

Outra consequência do aumento das chuvas nessa época do verão, é que a safra de uva para sucos e vinhos não deve ser tão boa e as vinícolas do Sul precisarão equilibrar artificialmente o gosto de seus premiados vinhos.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A Dilma e o impeachment - desvendando o cenário político brasileiro

Essa semana teve babado forte no Congresso brasileiro! O deputado Eduardo Cunha aceitou o pedido de abertura de processo de impeachment contra a Presidenta Dilma. O processo foi aberto pelo Tribunal de Contas da União. A União é uma entidade política acima dos estados e o TCU é um Tribunal que não é ligado a nenhum outro dos três poderes: nem o legislativo, nem o judiciário, nem o executivo. É o que se chama de um órgão independente. Nem por isso, deixa de ter influência política. Joaquim Barbosa, por exemplo, chamou o TCU de “playground de políticos fracassados”.
Abertura de processo não significa que ela foi condenada e sim que vai ser investigada. Por que ela será investigada? Por causa das PEDALADAS FISCAIS. O que seriam as pedaladas fiscais? O governo, apertado nas contas e com índices econômicos negativos, resolveu adotar as PEDALADAS FISCAIS. É o nome dado para a tática que o governo teria usado para cumprir as suas metas fiscais, ou seja, pagar suas dívidas. Isso mesmo: do mesmo jeito que o senhor e a senhora tem dívidas e precisam acertar as contas com os bancos, com o governo acontece a mesma coisa. Então, o Tesouro Nacional teria atrasado repasses para bancos públicos e privados que financiariam despesas do governo, entre eles benefícios sociais e previdenciários, como o Bolsa Família, o abono e seguro-desemprego, e os subsídios agrícolas. Porém, os beneficiários receberam tudo em dia, porque estes bancos acharam que seria mais rentável para seus cofres e menos desgastante politicamente assumir, com recursos próprios, os pagamentos das despesas . E decidiram, assim, aumentar a dívida do Brasil com os bancos ao invés de cortar os repasses.

Se as pedaladas são inconstitucionais ou não, depende mais de apoio político do que de parecer técnico e jurídico. O que isso significa?  
O Tribunal de Contas da União, TCU, entrou com o pedido de impeachment. Este pedido precisa ser aceito pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, mas o deputado  Cunha só aceitou quando a cúpula do PT disse que não apoiaria Cunha se ele fosse condenado, permitindo que ele fosse condenado (já que, ao que tudo indica, ele é culpado). E então, abriu-se o processo.
Vejam a situação: Dilma está sendo processada por ato administrativo, ou seja, por má fé e não por corrupção. Já Eduardo Cunha está sendo processado por envolvimento em várias situações de corrupção, participação na Lava-Jato, conta na suíça, etc. Haverá, então uma votação no Congresso e os parlamentares decidirão se apoiarão Eduardo Cunha ou Dilma. Sinceramente, acho muito difícil que a maioria esteja com o Cunha.

CONTEXTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO
Mas qual o contexto histórico e geográfico que envolve essa questão do impeachment?
O Brasil é uma instituição política bastante estável (esta estabilidade é reconhecida mundialmente) e a atual disputa política é histórica no país. São a disputa entre agrupamentos políticos que disputam o poder desde o início do século 20: os liberais, os desenvolvimentistas e os socialistas brasileiros.
E os contextos histórico e geográfico?
O contexto é histórico porque vem acontecendo sucessivamente pelo menos desde a década de 1920.
O contexto geográfico se dá porque também há uma disputa territorial que envolve fluxos financeiros e de mercadorias e a inserção do Brasil no cenário internacional. 
Vamos, lá. Simplificando:
O movimento político liberal tem suas origens lá no século 19. Existia uma classe que era a dona da mão de obra escravizada. Eles alugavam, compravam e vendiam essas pessoas para os fazendeiros. Esta mesma classe também facilitava a exportação dos produtos agrícolas e, claro, oferecia o comércio de produtos importados, que iam desde móveis e futilidades até implementos agrícolas e contratos com governos de venda de estradas de ferro e equipamentos para as locomotivas. Quando a mão de obra assalariada passa a ser gradativamente adotada, aí sim essa classe liberal ganha mais autonomia política. Eles passam a ter agências de financiamento para as contratações, aumentando o seu poder institucional. Certamente, os comerciantes tinham laços mais fortes com os produtores mais ricos, que na época, entre 1850 e 1900, eram os cafeicultores de RJ e SP.
Essa aliança entre produtores e comerciantes derrubou a família imperial. E permaneceu no poder até 1930.
Os desenvolvimentistas surgiram na década de 1930. A política liberal estava desgastada porque o preço dos importados subia e a exportação agrícola (de café, principalmente) perdia preço no mercado internacional. Então uma aliança entre oligarquias do Nordeste e do Sul, resumida na figura do gaúcho Getúlio Vargas, tirou os liberais do poder. Os desenvolvimentistas fortaleceram e modernizaram a máquina burocrática brasileira. Os setores-chave da economia foram estatizados para garantir o desenvolvimento da indústria nacional e protege-la contra a desleal concorrência internacional das indústrias inglesas, alemãs e norte-americanas.
A ditadura civil-militar – de 1964 a 1985 – garantiu um desenvolvimentismo que excluiu a classe trabalhadora.
A década de 1990 viu voltar a política liberal liderada, como sempre, pelos políticos do Sudeste (no caso, Itamar e FHC), que voltam a investir na força do comércio de importados, no fortalecimento de agências privadas de financiamento e na diminuição da força do Estado através da privatização dos setores chave (eletricidade, petróleo, minério de ferro, comunicação).
Nos anos 2000 volta a política desenvolvimentista, com o Lula, do PT. Daí a crítica de que o PT abandonou o seu projeto de esquerda. A política capitalista fica entre liberais e desenvolvimentistas. Já o projeto socialista brasileiro pretendia a organização da sociedade civil acima da disputa pelo controle dos meios de produção. Mas, claro, este projeto não tinha força política suficiente. Lula percebeu isso e fez retomar a política desenvolvimentista, mas dessa vez com a participação das centrais sindicais, valorização do salário mínimo, proteção da indústria nacional e aumento da proteção social do Estado. Mas essa aliança desenvolvimentista, embora tenha favorecido as classes trabalhadoras, favoreceu muito as oligarquias e empresas nacionais, porém não sem o componente corrupção absolutamente presente, como em todos os projetos desenvolvimentistas desde a década de 1930.

E então Lula apoiou para sua sucessão uma mulher que não tinha história política firmada no PT e, portanto, não fazia parte dos conchavos com as construtoras nacionais e as oligarquias. Dilma, portanto pretendeu investir num desenvolvimentismo mais técnico, fortalecendo as instituições e diminuindo a influência das oligarquias. Mas não teve apoio político suficiente. Hoje ela está entre um PT corrupto e enfraquecido, de um lado, e os liberais de outro lado – e que querem o fim do desenvolvimentismo – com ou sem o PT. 

Quem esteve no poder no governo brasileiro desde a implementação da república:








LIBERAIS
1889-1930

1945-1950

1990-2002

DESENVOLVIMENTISTAS

1930-1945

1950-1990

2002 até hoje

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O FENÔMENO EL NINÕ

"El Niño", um termo que praticamente todo mundo já ouviu falar. Mas... que fenômeno da natureza é este?

É o nome que se dá para o aquecimento acima do normal da temperatura da água do oceano Pacífico, mais precisamente na zona do Equador, como mostra a elipse na imagem abaixo:



O aquecimento das águas do Pacífico nesta região acarretam um enfraquecimento dos ventos alísios, que vão na direção leste-oeste (a corrente do Peru).




O fenômeno El Niño é considerado normal pelos cientistas, mas a sua intensificação não. Estas alterações climáticas são causadas pelo excesso de emissões de gases poluentes na atmosfera, como o CO2 (gás carbônico) e o gás metano. Estes gases são emitidos tanto pela indústria quanto pelo rebanho bovino (estimado em cerca de 1 bilhão de cabeças em todo o mundo). E, este caso, não podemos esquecer, também, que o oceano Pacífico está entre as maiores zonas industriais do mundo: China e Japão a oeste e os EUA a leste.






Associado a isso, o desmatamento das grandes florestas faz diminuir a evapotranspiração da superfície terrestre, tendo como consequência maiores alterações climáticas: desertificações, chuvas torrenciais, etc. A evapotranspiração ajuda a manter a umidade do ar, que é um componente muito importante na manutenção da temperatura de uma determinada região. Quanto menor a umidade, maiores são as variações de temperatura.

Como consequências do aquecimento do Pacífico, temos:


  • secas severas no Nordeste e diminuição das chuvas nas região Norte do Brasil.
  • No Centro-Oeste o sul, com maior influência do clima sub-tropical está mais chuvoso e o norte com suave diminuição das chuvas. 
  • Na região Sul, há grande aumento na quantidade de chuvas e que causaram, agora na primavera de 2015, prejuízos incalculáveis pelas perdas humanas e pelo deslocamento de população. 
  • Na região Sudeste há sensível aumento da temperatura, mas não necessariamente aumento das chuvas.




Como solução em nível mundial, a ONU tem reunido lideranças políticas anualmente para buscar soluções para diminuição da emissão de gases e do desmatamento, diminuindo o impacto da nossa produção industrial e alimentícia. Um passo importante que já foi dado é o da "responsabilidades comuns, mas diferenciadas", onde os países industrializados reconhecem a sua maior responsabilidade sobre os danos ambientais. O próximo encontro será em Paris, em dezembro de 2015.



imagens:
http://meioambiente.culturamix.com/natureza/ventos-alisios-caracteristicas-gerais
http://www.ilmeteo.it/notizie/el-nino-piu-forte-secole-previsioni-meteo-inverno-neve-gelo-burian-video

sábado, 17 de outubro de 2015

O DÓLAR ALTO E A SUBSTITUIÇÃO DE IMPORTAÇÕES

Os grupos industriais do Brasil estavam reclamando que a produção de produtos manufaturados (bens de consumo como computadores, geladeira, carro, vestuário, etc.) vem num ritmo tipo jabuti em terra firme, a 0,5 km/h. Pois então, eis o remédio: a alta do dólar.
Para uma indústria crescer e se expandir ou aumentar a produção é necessário um empurrãozinho, seja investimento, empréstimo ou uma super demanda extra (o que for mais acessível e às vezes esses empurrõezinhos se somam também). 



Como a crise internacional não permite nem empréstimos razoáveis nem investimentos vultosos, resta criar a super demanda. E aí vem o preço do dólar.
Com o preço do dólar beirando os R$ 4,00, fica muito caro comprar os manufaturados no exterior e a demanda interna brasileira acaba se voltando para a indústria doméstica. 



O ministro Armando Monteiro publicou que a balança comercial brasileira deve fechar o ano de 2015 com saldo positivo de mais de US$ 15 bilhões e dobrar o resultado no ano que vem. As exportações de manufaturados para os Estados Unidos já registram crescimento de 5% neste ano. 

O nome deste movimento é "SUBSTITUIÇÃO DE IMPORTAÇÕES". Substituir importações significa substituir pela produção interna, por produtos brasileiros. A alta do dólar como uma ferramenta para impulsionar a produção industrial interna é uma política que começou la na Era Getúlio Vargas, na década de 1930, e foi muito utilizada em outros países da América Latina, como Argentina, Chile e México. 

A política do nacional-desenvolvimentismo vem forte contra o liberalismo! 


quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A GLOBALIZAÇÃO OCIDENTAL

A GLOBALIZAÇÃO é Ocidental? E quem é o Ocidente? Não é todo país a oeste de Greenwich? 

Não. A identidade do Ocidente é formada, primariamente, por  EUA, Reino Unido e França, mesmo que haja divergências políticas entre eles.
O resto vem a reboque, com alternância de governos pró-ocidentais e governos mais autônomos, seja na Europa, ou seja na América.



A Globalização é um processo complexo, de mundialização da produção, de padronização de valores e de comportamentos. E como este não pode ser um processo isento, tem a cara do Ocidente.  No Brasil, muitos políticos e dirigentes considerados liberais são a favor da globalização, ou seja, de uma maior internacionalização da nossa economia. Mas aceitam essa interferência dos EUA ou da União Europeia, não da China ou Rússia. E vale lembrar que estes são os "5 policiais do mundo": EUA, Reino Unido, França, China e Rússia (que compõe o Conselho de Segurança da ONU). Somente estes países têm "autorização" para intervir em outro país, caso haja ameaça à segurança internacional




Outro exemplo de que a Globalização é ocidental é o sistema financeiro: os sistemas financeiros internacionais são formados praticamente 100% de instituições ocidentais, sendo que FMI e Banco Mundial nunca foram dirigidos por sul-americanos, africanos ou asiáticos. Recentemente os países do BRICS (Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul) fundaram um banco de financiamento internacional com o objetivo de complementar os sistemas já existentes, o Novo Banco Desenvolvimento (NDB).

A globalização não é algo que já aconteceu, é um processo que vem acontecendo e seguirá acontecendo por muitas décadas e muitos conflitos acontecerão em função destes choques de civilizações e de culturas diferentes. A ocidentalização da globalização vem diminuindo seu ritmo de crescimento, mas ainda é cedo para avaliarmos a atuação do NDB e dos BRICS nas relações internacionais e o seu peso no processo de globalização. Porém, essa diversificação na balança de poder é um processo irreversível. 



quinta-feira, 1 de outubro de 2015

A mecanização da produção agrícola e suas permanentes consequências

A Revolução Verde foi o processo de mecanização e a aplicação de novos fertilizantes e pesticidas na produção de grãos para a exportação (principalmente a soja) a partir da década de 1960. Esse grande aumento da produtividade ajudou a devastar diversos biomas brasileiros - entre eles os campos sulinos, o pantanal, cerrado e amazônia. E até hoje a expansão agrícola segue diminuindo as áreas de mata nativa, como se pode ver em relatório recente publicado pelo IBGE.Ela é responsável por 68,0% dos avanços em áreas florestais e áreas florestais mistas e 66,0% das mudanças nas pastagens naturais e campestres mistas.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

JUVENTUDE NEGRA

Pablo Escobar, colombiano, maior narcotraficante da história da América do Sul, foi assassinado em 1993. Outro dia vi um breve documentário sobre quem teria matado Escobar, se a polícia ou outro grupo de narcotraficantes. O nó da questão estava no quanto a polícia precisou se envolver com outros grupos criminosos para resolver a questão de Escobar. E não era só a polícia colombiana, era também a americana - a CIA.

O ponto a que quero chegar é que entre as polícias, o grupo de Pablo e o outro grupo de narcotraficantes, havia a população, morrendo gratuitamente aos milhares nessa guerra. Pablo Escobar morreu e o narcotráfico continuou firme e forte, organizado de outra maneira. E a guerra "Estado X Narcotráfico" cresceu no restante da década de 1990, e continuava mantendo o resto da população colombiana refém. Muitos inocentes foram mortos e não era apenas entre os mais pobres. Ataques terroristas com bombas explodindo prédios e locais públicos era frequente.

Aqui no Brasil acontece de igual maneira nas favelas e bairros mais pobres de grandes e médias cidades, ou no interior do Brasil, na rota do tráfico internacional. Existe uma guerra entre o Estado e o tráfico de drogas. Os donos do tráfico querem manter seu poder e seus negócios na América Latina. O Estado quer diminuir esse poder e controlar o fluxo dessas substâncias. Essa guerra se trava nas favelas, onde os jovens são recrutados tanto como soldados da polícia quanto como soldados do tráfico (o que, claro, é muito pior). Ambos morrem. Oxalá nem todos. Mas o estado de guerra não permite que a maioria dos que sobrevivem prosperem.

Mas os que conseguem prosperar carregam a esperança de que isso vai mudar.

E eu acredito na prosperidade da população brasileira.

Aqui vai o poema escrito pelo  Jorge Terra, Procurador do Estado do Rio Grande do Sul,.

https://jorgeterra.wordpress.com/2015/09/12/outras-formas-de-falar/

JUVENTUDE NEGRA

A polícia chega
e inseguro fico.
Ando pelas ruas chuvosas
sentindo calor e medo.
Ando apressado
e não vejo ninguém.
Seria romântico o escuro
se não fosse a falta de luz.
Ando pelas ruas chuvosas
sem poder crer
que será diferente amanhã.
Uns dizem me respeitar,
outros até me ofendem,
mas a força está em mim
e eu vou superar.
Minha causa rende votos
então há falas bonitas
e gestos que parecem amistosos.
Uns gritam por mim
até conseguirem sustento.
Mas eu sou maior do que isso,
não sou relógio,
eu sou o tempo